Obsolescência programada: o que é e como afeta você?

Será que você é mais uma vítima da obsolescência programada? Entenda o conceito, veja exemplos e dicas para se proteger.
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Celulares antigos sobre fundo azul

Você pode ter ouvido falar muito pouco sobre ela, mas a obsolescência programada faz parte do seu cotidiano.

A TV que você comprou há quatro anos já não serve mais e você se pergunta como algumas pessoas tinham o mesmo aparelho por 20 anos no passado?

Isso é o que chamamos “obsolescência programada”.

Entenda melhor o conceito a partir de agora e saiba como se proteger.

O que é obsolescência programada?

Obsolescência programada ou planejada nada mais é que uma estratégia utilizada por determinados fabricantes para intencionalmente os produtos durarem menos.

O termo surgiu no fim da década de 1920, quando as empresas perceberam que a venda de produtos havia caído.

O diagnóstico da época foi de que isso acontecia porque a maioria das pessoas que precisava deles já tinha comprado. Então, ao durarem menos, a necessidade de compra se manteria viva.

Como funciona a obsolescência programada?

O funcionamento da estratégia de obsolescência programada é fácil de entender.

A partir dela, as empresas encurtam a vida útil de um produto, mesmo que a tecnologia utilizada para a sua confecção permita uma duração maior.

Mas como isso acontece? Na obsolescência programada, os fabricantes lançam coleções, edições limitadas ou versões atualizadas do mesmo produto, em curto espaço de tempo, para aumentar o desejo de consumo.

É por isso que, a cada ano, você tem a sensação de que o seu aparelho de celular já está ultrapassado e sente que precisa comprar um novo.

Tipos de obsolescência programada

As empresas podem trabalhar com a estratégia de obsolescência programada de diferentes formas.

Vamos às principais.

Funcional

Quando o fabricante insere uma modificação no produto para causar uma pane sem razão aparente, mas que impede a sua utilização.

Um caso conhecido de obsolescência programada deste tipo foi demonstrado no documentário Light Bulb Conspiracy.

A obra mostra uma impressora que apresenta defeito e, a partir daí, descobre-se que o proprietário havia implantado um chip para impedir que ela continuasse imprimindo.

Operacional

Quando aparelhos antigos não comportam a atualização do sistema operacional, ou quando sistemas operacionais deixam de ser utilizados. É o caso dos aparelhos de celular ou tablets, por exemplo.

Em ambos os casos, a obsolescência programada obriga o usuário a comprar um novo aparelho, ainda que o atual esteja em perfeito funcionamento.

Mecânico

Ocorre quando aparelhos eletrônicos começam a emitir um aviso para troca obrigatória de peças com problema, embora elas continuem funcionando.

Esse tipo de obsolescência programada pode ser observado recorrentemente em algumas marcas de impressoras.

Restaurativo

Quando a troca de uma peça do produto tem valor superior ao da compra de um novo.

Essa é a forma de obsolescência programada mais comum em aparelhos de celular ou tablets.

Como a obsolescência programada afeta você?

Como você deve ter percebido, os principais impactos da obsolescência programada na sua vida vem dos aparelhos eletrônicos.

Veja, por exemplo, o que mostra uma pesquisa realizada pela Digital Turbine: 36% dos brasileiros trocam de celular em menos de dois anos.

Ao avaliar as razões para a substituição de aparelho, é possível identificar características típicas da obsolescência programada.

Confira algumas das respostas relatadas no estudo:

  • Porque já está em tempo: 41%;
  • Busca por mais memória: 38%;
  • Defeitos no dispositivo atual: 33%;
  • Maior tempo de bateria: 26%.

Obviamente, quando as trocas de aparelhos são mais frequentes, o consumidor tem um impacto direto nas suas finanças: ele gasta mais do que precisa.

Outra consequência significativa aparece em questões ambientais. Não é de hoje que existe a denúncia de que países desenvolvidos enviam resíduos eletrônicos para “lixões de descarte” em nações mais pobres.

Assim, contaminações por metais pesados, como chumbo, alumínio e cobre, presentes no ar, na água e no solo, prejudicam a saúde da população de regiões como Agbogbloshie, em Gana, conhecida como o “lixão do mundo”.

Estima-se que mais de 130 mil toneladas de lixo provenientes da Europa e dos Estados Unidos são enviadas anualmente somente para essa região.

Exemplos de obsolescência programada

Também não é novidade que há diferentes marcas de smartphones respondendo a processos por utilizarem estratégias de obsolescência programada.

A Apple talvez seja o exemplo mais conhecido. Em 2017, por exemplo, a marca lançou um novo modelo de seu iPhone. Até aí, tudo bem, já que faz isso anualmente.

O problema é que, instantaneamente, começaram os relatos de usuários de versões anteriores sobre uma possível redução na velocidade de seus aparelhos. A fabricante negou as acusações, mas foi alvo de uma ação milionária na Europa.

Outro exemplo vem de impressoras e seus cartuchos de tinta. Mais de uma vez, marcas como Epson e HP foram acusadas de fornecer aparelhos programados para acusar a falta de tinta antes de ela ter, de fato, acabado.

Nesse caso, o consumidor se obriga a adquirir novos cartuchos (que não são baratos), pois entende que não será possível mais utilizar o atual. Esse é um exemplo típico do conceito de obsolescência programada.

E ela é responsável também por trocas desnecessárias de aparelhos do seu dia a dia e que você, muitas vezes, nem percebe. Acontece, por exemplo, quando não é possível substituir a bateria do celular porque a peça não sai.

Ou quando você não consegue utilizar o equipamento porque o novo sistema causa travamentos.

E ainda quando você sente que sua televisão está ultrapassada porque não acompanha a tecnologia mais recente lançada no mercado.

Como se proteger da obsolescência programada?

As marcas estão constantemente observando os seus hábitos de consumo. São eles que mantêm a estratégia de obsolescência programada em alta.

Por isso, é importante pensar em medidas que ajudam a reduzir o consumo e, consequentemente, a mudar essa mentalidade de “produto descartável”.

Veja exemplos:

  • Ser mais consciente;
  • Avaliar a real necessidade de compra;
  • Promover trocas informais (entre amigos, por exemplo);
  • Escolher de quais marcas comprar.

Conheça os valores das marcas que deseja consumir, e invista naquelas que trabalham com produtos sustentáveis e lutam contra a obsolescência programada.

A mudança depende do envolvimento de todas as peças da cadeia produtiva. E você é fundamental para esse processo.

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