O que é IOF? Como funciona, quando é cobrado e como calcular

O IOF é um imposto que você paga quando faz compras no exterior, empréstimos, investimentos e muito mais. Veja como ele é cobrado.
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Caderno amarelo com sigla "IOF" escrita por cima

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sempre aparece na fatura do cartão de crédito quando você faz uma compra internacional.

Ele também está presente em outras situações no seu dia a dia, portanto, é importante saber mais sobre esse imposto.

Além das compras em crédito fora do país, o IOF também é cobrado em empréstimos e financiamentos, seguros, operações de câmbio, investimentos e até no cheque especial.

Então, é fundamental que você conheça o IOF e suas alíquotas para calcular esse custo nas suas transações financeiras.

Quer entender melhor como ele funciona e em quais situações ele será reduzido nos próximos anos?

Continue a leitura e anote todas as alíquotas do IOF.

O que é IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)?

IOF, ou Imposto sobre Operações Financeiras, é um tributo cobrado pelo governo federal sobre transações financeiras, como operações de crédito, seguros, câmbio, de títulos e valores mobiliários.

Ele foi criado em 1966, a partir da Lei 5.143, para substituir o Imposto sobre transferência para o exterior.

Inicialmente, era cobrado somente sobre transferências nacionais e internacionais, mas sua incidência foi expandida para outras operações de crédito e investimentos.

De modo geral, o aumento de transações com cobrança de IOF indica um aquecimento no mercado, já que sinaliza o crescimento de operações financeiras no país.

No entanto, é preciso ter cuidado ao usar o IOF como termômetro da economia, já que ele também incide sobre operações de empréstimos — o que pode significar um aumento do endividamento da população.

Para que serve o IOF?

O IOF funciona como um “regulador” da economia do país, criado para evitar que pessoas fizessem aplicações e resgates de dinheiro em poucos dias ou horas.

Quando o imposto foi implementado, esse tipo de regulamentação fazia sentido porque a inflação estava descontrolada na época.

Assim, o valor do dinheiro variava ao longo de um único dia e as pessoas tentavam proteger seus bens como dava.

Apesar de a economia hoje estar bem mais estável, as regras não mudaram muito desde então.

Dessa forma, o IOF se tornou uma importante fonte de arrecadação para o governo.

Para você ter uma ideia, de janeiro a julho de 2022, a União arrecadou R$ 33,9 bilhões somente com esse imposto, segundo dados do Impostômetro.

Além disso, esse imposto ajuda a controlar melhor a economia do país, pois permite a coleta de dados de movimentações financeiras.

Quando o IOF é cobrado?

O IOF é um imposto pago em operações como compras internacionais no cartão de crédito, empréstimos, cheque especial, câmbio (compra de dólar, por exemplo) e seguros, além de investimentos mais robustos, como ações na bolsa de valores e fundos imobiliários.

Ele é cobrado todas as vezes em que há uma operação de crédito em um período menor que 30 dias, seja em compra em site internacional com o cartão de crédito, empréstimos e resgates de investimentos, na contratação de um seguro ou uso do cheque especial.

A cobrança é válida tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica (empresas).

E por que o IOF aparece em algumas compras e em outras não?

Porque compras feitas no Brasil não têm cobrança de IOF, sejam parceladas ou à vista no crédito.

Já as compras internacionais, feitas em outros países ou em sites estrangeiros, têm.

A boa notícia é que o Brasil vai zerar o IOF em transações internacionais até 2029, conforme publicado pela Casa Civil.

A medida é uma das exigências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para adesão aos Códigos de Liberalização de Movimentação de Capitais e de Operações Invisíveis.

Até lá, o imposto será reduzido gradualmente a cada ano, tornando as compras internacionais, transferências ao exterior e a compra de moeda estrangeira mais baratas.

Além disso, o IOF pode ser cobrado caso você atrase a fatura, pague apenas o valor mínimo devido ou saque dinheiro no crédito, como veremos no próximo tópico.

Você sabia que o cartão Neon também é internacional?

Como funciona a cobrança do IOF?

O IOF é cobrado de forma diferente de acordo com cada operação financeira.

Veja como funciona nos seguintes casos:

IOF no cartão de crédito

O IOF não é cobrado nas compras nacionais, à vista ou parceladas, feitas no cartão de crédito.

Só existe a cobrança do imposto quando é realizada uma operação financeira, como nos exemplos abaixo:

  • Quando você atrasa o pagamento da fatura, o que transforma o saldo devedor em uma dívida e faz com que você entre no crédito rotativo (a linha com juros mais altos do mercado). Nesse caso, é cobrado o IOF e a taxa de juros do cartão;
  • Quando você paga um valor parcial ou o valor mínimo da fatura, o que também significa entrar no crédito rotativo;
  • Quando você realiza compras internacionais, que estão sujeitas ao IOF e às taxas cambiais;
  • Quando você parcela a fatura do cartão de crédito, contratando uma espécie de empréstimo. Da mesma forma que no rotativo, é cobrado o IOF acrescido de taxa de juros;
  • Quando você faz compras acima do limite do cartão de crédito;
  • Quando você realiza saques usando seu cartão de crédito.

As alíquotas de IOF cobradas variam de acordo com a operação, começando em 0,38% e indo até 4,38%, como veremos a seguir.

IOF em compras internacionais

No caso das compras internacionais, o IOF cobrado atualmente é de 4,38%.

De acordo com o governo, o imposto terá uma redução de um ponto percentual a cada dia 2 de janeiro, até ser zerado em 2029.

Lembrando que essa alíquota é aplicada sobre o valor da compra já convertido em reais, e não sobre o valor em moeda estrangeira.

IOF no crédito rotativo

Nas operações que envolvem a contratação de linhas de crédito, como é o caso do crédito rotativo, a alíquota do IOF é de 0,38% + 0,0082% ao dia, limitado a 3%.

Lembrando que o rotativo é uma das linhas de crédito mais caras do país, que é contratada automaticamente quando você atrasa o pagamento da fatura ou paga um valor parcial.

O que é IOF parcelado emissor?

IOF parcelado emissor é a identificação do imposto que você paga quando faz uma compra parcelada com acréscimo de juros. Nesse caso, o tributo vem com esse nome na sua fatura.

O termo “emissor” se refere à empresa responsável por intermediar o pagamento e aqui os juros cobrados pela administradora são repassados ao consumidor pelo estabelecimento.

IOF no cartão internacional de débito

No cartão internacional de débito, o IOF incide somente sobre as compras feitas no exterior.

Nesse caso, a alíquota padrão é de 4,38% sobre o valor da transação, como vimos anteriormente.

IOF nos investimentos

No caso dos investimentos, a cobrança de IOF está ligada ao tempo que o dinheiro está rendendo.

Se o valor for sacado de um investimento antes do fim do prazo, é necessário pagar IOF sobre os rendimentos (e não sobre o valor aplicado, que fique claro).

Em casos de investimentos de renda fixa, como o CDB e Tesouro Direto, a cobrança acontece se essa retirada for feita em menos de 30 dias a contar de quando o dinheiro foi investido.

Nesse cenário, você pode pagar até 96% de IOF sobre os rendimentos, conforme a tabela abaixo:

Número de dias decorridos da aplicaçãoIOF (%)Número de dias decorridos da aplicaçãoIOF (%)
196%1646%
293%1743%
390%1840%
486%1936%
583%2033%
680%2130%
776%2226%
873%2323%
970%2420%
1066%2516%
1163%2613%
1260%2710%
1356%286%
1453%293%
1550%300%

IOF no CDB

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um investimento de renda fixa que tem cobrança de IOF de acordo com a tabela que vimos acima.

Logo, dependendo do tempo de aplicação, você pode pagar entre 0 e 96% sobre os rendimentos no momento do resgate.

Existem CDBs com vários prazos de vencimento, mas um dos mais populares é aquele que oferece liquidez diária — você pode retirar o dinheiro investido a qualquer momento sem perdas. 

No entanto, pode não ser vantajoso resgatar valores muito rapidamente devido à cobrança do IOF.

Por isso, é recomendado esperar pelo menos 30 dias para mexer no dinheiro aplicado, evitando, assim, a cobrança do tributo.

CDB é seguro? Entenda se o investimento vale a pena.

IOF em financiamento ou empréstimo

Quando você toma um empréstimo ou financiamento, o IOF é cobrado no momento da contratação.

Ele faz parte do Custo Efetivo Total (CET) do crédito, que abrange todos os custos e encargos da operação, para além da taxa de juros divulgada.

Por padrão, o IOF cobrado em empréstimos e financiamentos é de 0,38% sobre o valor do crédito mais uma porcentagem diária de 0,0082%, calculada conforme o prazo de pagamento.

Já para pessoas jurídicas, a alíquota fixa é a mesma (0,38%) e a alíquota diária é de 0,0041%.

Por exemplo, se você contratar um empréstimo pessoal de R$ 2 mil para pagar em 12 meses, pagará cerca de R$ 67,46 de IOF (365 x 0,0082% + 0,38% x R$ 2 mil).

Precisa pagar IOF para liberar empréstimo?

Não, se pedirem para você pagar o valor do IOF antecipado para liberar um empréstimo, tome cuidado, pois se trata de um golpe.

Na realidade, quem paga o IOF nas operações de crédito é a empresa responsável.

A instituição precisa recolher um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) ao conceder o empréstimo para os clientes.

Logo, o tributo já estará incluso nos custos.

Então, você nunca terá que pagar um IOF para conseguir um empréstimo, muito menos via transferência bancária ou Pix.

IOF no cheque especial

O cheque especial é a linha de crédito contratada quando você gasta além do saldo disponível na conta, conhecida por ter uma das taxas de juros mais altas do mercado.

Nesse caso, além dos juros, você também paga a mesma alíquota de IOF dos empréstimos: 0,38% + 0,0082% por dia de saldo negativo, limitado a 3%.

IOF no câmbio

No caso de operações de câmbio de moedas, é preciso pagar 1,1% de IOF sobre o valor total da transação.

IOF em seguros

No caso dos seguros, o IOF é cobrado sobre o prêmio, que é o valor pago à vista ou em parcelas à seguradora no momento da contratação, e a alíquota varia entre 0,38% e 25%.

Um seguro de vida, por exemplo, tem IOF de 0,38%, enquanto um seguro de automóvel cobra 7,38%.

O que é IOF adicional?

Nos empréstimos, o IOF adicional se refere aos 0,38% cobrados sobre cada operação de crédito, além da taxa diária de 0,0082%.

Logo, é apenas a nomenclatura usada para a taxa fixa do imposto, que é somada à cobrança diária para formar o recolhimento total.

Qual é a taxa de IOF hoje? Tabela atualizada

Como vimos, o valor da alíquota de IOF varia de acordo com a operação realizada e os bancos recolhem o imposto, o qual é repassado ao governo posteriormente.

Ou seja, a cobrança é diferente dependendo se você vai comprar dólar para viajar, solicitar um empréstimo, fazer um financiamento, investir seu dinheiro ou sacar dinheiro com o cartão de crédito.

Confira um resumo das taxas de IOF que acabamos de ver:

  • 4,38% para compras internacionais com cartões (compras feitas no exterior com cartão de crédito ou débito), com redução anual até chegar à tarifa zero em 2029;
  • 1,1% sobre o valor total de câmbio de moedas (compra ou venda de moeda estrangeira em espécie);
  • 0,38% + 0,0082% por dia, limitado a 3%, no rotativo do cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e financiamentos;
  • De 0,38% até 25% para seguros;
  • De zero a 96% dos rendimentos de investimentos conforme o tempo de aplicação e resgate.

Como calcular o IOF em uma compra internacional?

A partir de 2 de janeiro de 2024, o IOF foi reduzido para 4,38%, conforme o calendário divulgado pelo governo.

Veja como vai ficar o imposto do nosso exemplo nos próximos anos, até ser totalmente zerado:

AnoValor do IOFValor final da compra de R$ 250
20244,38% — R$ 10,95R$ 260,95
20253,38% — R$ 8,45R$ 258,45
20262,38% — R$ 5,95R$ 255,95
20271,38% — R$ 3,45R$ 253,45
20280,38% — R$ 0,95R$ 250,95
20290R$ 250

É muito simples calcular o IOF em uma compra internacional de 2024: basta multiplicar o valor em reais da transação por 4,38%.

Vamos supor que você fez uma compra em um site internacional e o valor total foi de R$ 250, já com o frete.

Nesse caso, o cálculo fica assim:

  • IOF = 4,38% de R$ 250;
  • IOF = 250 x 0,0438;
  • IOF = R$ 10,95.

Logo, o custo total da compra será de R$ 260,95 em 2024.

Como calcular o IOF do CDB?

Se você optar por resgatar um dinheiro investido em CDB antes de completar 30 dias da aplicação, o próprio sistema deverá mostrar o valor do IOF de acordo com o tempo transcorrido.

Por exemplo, se você investir R$ 1 mil no CDB Neon, que paga até 113% do CDI, deverá ter um rendimento de aproximadamente R$ 7,80 após 30 dias.

Se por alguma razão esse dinheiro for resgatado no 29º dia, antes de completar os 30 dias e garantir a isenção do IOF, você terá que pagar 3% de IOF.

Dessa forma, seriam cobrados R$ 0,23, restando R$ 7,57 de retorno.

Por isso, é sempre melhor esperar os 30 dias para mexer em valores aplicados em CDB, quando o IOF sobre os rendimentos é zerado.

Saiba mais sobre o CDB Neon, o melhor CDB com liquidez diária do mercado.

Como pagar IOF?

Cada tipo de cobrança do IOF tem uma forma de pagamento diferente.

No cartão de crédito, por exemplo, o imposto vem na fatura — já no cartão de débito, ele é debitado diretamente da sua conta e aparece no extrato.

Na compra de moeda estrangeira, o IOF é embutido no custo total cobrado pelo operador.

Nos empréstimos, financiamentos e seguros, ele integra o Custo Efetivo Total (CET) e é diluído nas parcelas.

Outra forma de cobrança do IOF é o desconto do imposto no momento do resgate de investimentos, quando houver a incidência.

As empresas são responsáveis por recolher o IOF em guias específicas para esse fim que são pagas ao Governo Federal, enquanto o consumidor não precisa se preocupar.

Como funciona a isenção de IOF?

A lei prevê isenção de IOF na compra de carros para os seguintes grupos:

  • Motoristas profissionais autônomos em veículo próprio, inclusive se for MEI, mesmo que não possam exercer a profissão temporariamente, por seu veículo ter sido furtado, roubado ou sofrido perda total;
  • Cooperativas de trabalho, permissionárias ou concessionárias de transporte público de passageiros, na categoria de aluguel (táxi);
  • Pessoas com qualquer deficiência física que impeça a direção de automóveis convencionais, atestada mediante laudo emitido pelo Departamento de Trânsito (Detran) do estado onde reside em caráter permanente, o qual deve especificar as adaptações especiais para permitir a condução do veículo.

Como conseguir comprar um carro? Veja o passo a passo.

Há ainda um projeto de lei em tramitação que propõe a isenção de IOF para aposentados e pensionistas com mais de 75 anos.

O PLP 495/22 foi aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa em novembro de 2022 e ainda precisa passar por outras comissões antes da votação final.

Se o projeto for aprovado, aposentados com mais de 75 anos não vão mais pagar IOF em operações de crédito, câmbio e seguro e de títulos e valores mobiliários.

O propósito da Neon é diminuir desigualdades, mostrando caminhos financeiros mais simples e justos, porque todos merecem um futuro brilhante. A educação financeira é um dos principais pilares para fazer isso acontecer, por isso estamos aqui para te acompanhar em sua jornada com as finanças.

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